Muitas
polêmicas giram em torno da origem do Tarô. Alguns
estudiosos acreditam que foi Thot quem introduziu o Tarô no
Egito. Os egípcios atribuíram a Thot a invenção dos
hieróglifos e da linguagem. Foi encarregado de levar as
almas dos mortos para o outro lado do rio que separa os
mundos.
O Tarô sintetizava princípios e conhecimentos que seriam
passados adiante, pois para os antigos egípcios, as letras
eram deuses e simbolizavam idéias e os números eram sagrados.
Outros
estudiosos atribuem a origem do Tarô ao antigo Oriente, a
Índia e Pérsia. Há evidências históricas que as cartas já
existiam no século XIV, embora tenha chegado à Europa na mão
dos ciganos procedentes da Índia ou do Egito, por volta do
século XV.
Eliphas
Levi, filósofo e estudioso dos símbolos e padre da Igreja
Romana, acredita ser o Tarô um alfabeto sagrado e culto
atribuídos aos hebreus. Ele encontrou no Tarô a base das
ciências, da vida e da Cabala.
No seu livro
“Dogma
e Ritual de Alta Magia”, do século XIX, ele divulgou
a
vinculação entre
os Arcanos Maiores e as 22 letras do alfabeto hebraico. Ele
teve acesso a manuscritos, de origem desconhecida, que o
colocaram em contato com a tradição gnóstica perdida ou,
pelo menos, oculta. Levi percebeu que a Cabala ou Árvore
contém 22 caminhos por meio dos quais as “Sphiroths” ou
numeração se interligam. Concluiu que as 22 “Sphiroths”, as
22 letras do alfabeto hebraico e as 22 cartas dos Arcanos
Maiores representavam uma unidade para a “Grande revelação”.
Diz ele:
“O Tarot, livro miraculoso, fonte de inspiração de todos os
livros sagrados dos povos da antiguidade, é o mais perfeito
instrumento de adivinhação.
Pode ser usado com total confiança por causa da precisão
analógicas de suas figuras e de seus números. De fato, os
oráculos deste livro são sempre rigorosamente verdadeiros, e
até mesmo quando ele não prediz coisa alguma, sempre revela
algo que está oculto e dá os mais sábios conselhos para
aqueles que o consultam...
Como um livro cabalístico erudito, apresenta todas as
combinações que revelam a harmonia preexistente entre
símbolos, letras e números.”
Eliphas Levi
Na versão de Levi a primeira lâmina corresponde ao Arcano I
(O Mago) ao invés de o Louco. Ele também dá uma nova versão
às cartas do Carro e do Diabo.
Até o século XVIII o baralho do Tarô era usado apenas pelos
ciganos, por bruxos e pessoas “pouco respeitáveis” em geral.
Mas em 1781, Court de Gébelin, pastor da Igreja Reformada,
ocultista e arqueólogo francês, resgatou o Tarô para as
elites européias e editou um livro em nove volumes sob o
título “O Mundo Primitivo Analisado e Comparado com o Mundo
Moderno”. Para Gébelin, sua origem é egípcia e suas cartas
devem ser encaradas com um livro sobre religião e filosofia,
sobre a história da criação do mundo.
Papus (1865), ocultista e médico francês, a sabedoria da
antiga Índia e Egito tinha a síntese do Tarô. Foi fundador
da Ordem Maçônica dos Martinista, escreveu o livro “O Tarô
dos boêmios” e fez um baralho com inspiração egípcia e
correspondendo com as letras hebraicas.
O primeiro baralho conhecido foi pintado pelo artista
Jacquemin Grigonnur em 1392, para a coroa francesa. Deste
são conservadas apenas 17 cartas na Biblioteca Nacional de
Paris. Com a entrada do século XV, e com as mudanças na
Europa, surge uma série de baralhos, especialmente na Itália.
Existe uma série de jogos com rituais específicos para os
diversos fins.
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