
Chegamos à
explicação e à consagração do santo e misterioso pentagrama.
Neste ponto, que
o ignorante e o supersticioso fechem este verão somente
trevas e as trevas só podem escandalizar tais pessoas.
O pentagrarna,
chamado nas escolas gnósticas de estrela é o signo da
onipotência e da autocracia intelectuais.
É a estrela dos
magos; é o signo do Verbo feito carne e segundo a direção de
seus raios, esse símbolo absoluto em magia representa o 1 ou
o mal, a ordem ou a desordem, o cordeiro bendito de Ormuz e
de João ou o bode maldito de Mendes.
E a iniciação ou
a profanação; é Lúcifer ou Vésper, a estrela ou vespertina.
É Maria ou Lilith;
é a vitória ou a morte, é a luz ou a sombra.
O pentagrama, se
elevadas ao ar duas de suas pontas, Satã ou o bode do
sabá e representa também o Salvador quando um dos seus
raios é elevado para o ar.
O pentagrama é a
figura do corpo humano com quatro membros uma ponta única
que deve representar a cabeça.
Uma figura
humana, com a cabeça para baixo, representa mente o demônio,
quer dizer, a subversão intelectual, a desordem ou loucura.
Ora, se a magia é
uma realidade, se esta ciência oculta é a verdadeira lei dos
três mundos, esse signo absoluto, esse signo tão antigo a
história ou ainda mais antigo cio que ela, deve exercer, e
desde exerce, uma influência incalculável sobre os espíritos
desligados de envoltórios materiais.
O signo do
pentagrama chama-se igualmente signo do microcosmo e
representa o que os cabalistas do livro de Zohar
denominam microprosopo.
A completa
interpretação do pentagrama é a chave dos dois mundos. É a
filosofia e a ciência natural absolutas.
O signo do
pentagrarna deve se compor dos sete metais ou, pelo menos,
ser traçado com ouro puro sobre mármore branco.
Pode também ser
desenhado com vermelhão numa pele de cordeiro sem manchas ou
defeitos, símbolo da integridade e da luz.
O mármore deve
ser virgem, isto é, não deve ter sido antes destinado a
qualquer outro uso; a pele de cordeiro deve ser preparada
sob os auspícios do sol.
O cordeiro
precisa ser degolado na época da Páscoa com uma faca nova e
a pele salgada com sal consagrado pelas as operações
mágicas.
A negligência
relativamente a qualquer desses detalhes cerimoniais, em
aparência tão difíceis e arbitrários, resultará no fracasso
das grandes obras da ciência.
Consagra-se o
pentagrama com os quatro elementos; sopra-se cinco vezes
sobre a figura mágica; asperge-se outras tantas com a água
consagrada; seca-se a fumaça dos cinco perfumes, que São:
incenso, mirra, aloés, enxofre e cânfora, aos quais pode-se
acrescentar um pouco de resina branca e de âmbar gris.
Sopra-se cinco vezes pronunciando os nomes dos cinco gênios,
que São: Gabriel, Rafael, Anael, Samael e Orifiel; depois
coloca-se alternativamente o pentáculo no solo ao norte, ao
sul, ao oriente e ao ocidente e no centro a cruz
astronômica, pronunciando uma após a outra as letras do
tetragrama sagrado; em seguida diz-se em voz baixa os nomes
benditos de Aleph e da Thô misteriosa,
reunidas no nome cabalístico de AZOTH.
O pentagrama deve
ser colocado sobre o altar dos perfumes e sobre o tripé das
evocações. O operador deve também portar consigo a figura do
mesmo, conjuntamente com a do rnacrocosmo, ou seja, a
estrela de seis raios, composta de dois triângulos cruzados
e superpostos.
Quando se evoca
um espírito de luz, é preciso mover a cabeça da estrela, ou
seja, urna de suas pontas para o tripé da evocação e as duas
pontas inferiores do lado do altar dos perfumes. É preciso
fazer o contrário quando se tratar de um espírito das
trevas; mas neste caso é necessário que o operador tenha o
cuidado de manter a ponta da varinha ou a ponta da espada na
cabeça do pentagrarna.
Já dissemos que
os signos são o verbo ativo da vontade. Ora, a vontade deve
proporcionar seu verbo completo para transformá-lo em ação;
e uma só negligência, representada por uma palavra ociosa,
por uma dúvida, uma vacilação, converte toda a operação numa
obra de ficção e de impotência e devolve contra o operador
todas as forças despendidas inutilmente.
Cumpre, portanto,
abster-se em absoluto de toda cerimônia mágica ou
executá-las todas escrupulosa e exatamente!
O pentagrama
traçado em linhas luminosas sobre vidro por meio de uma
ferramenta elétrica exerce também uma grande influência
sobre os espíritos e aterroriza os fantasmas.
Os antigos magos
traçavam o signo do pentagrama sobre o umbral de suas portas
para impedir a entrada dos maus espíritos e a saída dos
bons. Este constrangimento resulta da direção dos raios da
estrela; com duas pontas para fora afastava os maus
espíritos; com duas pontas para dentro os mantinha
prisioneiros; com uma única ponta para dentro prendia os
bons espíritos.
Todas essas
teorias mágicas, baseadas no dogma único de Hermes e nas
induções analógicas da ciência, sempre foram confirmadas
pelas visões dos extáticos e pelas convulsões dos
catalépticos, que se dizem possessos pelos espíritos.
O G que os
franco-maçons colocam no meio da estrela flamejante
significa: GNOSIS e GERAÇÃO, as duas palavras sagradas da
antiga cabala. Quer dizer também GRANDE ARQUITETO, porque o
pentagrarna, de qualquer lado que o olhemos, representa um
A.
Dispondo-o de
modo que duas de suas pontas fiquem para cima e apenas uma
para baixo, pode-se ver nele os cornos, as orelhas e a barba
do bode hierático dc Mendes, convertendo-se então no signo
das evocações infernais.
A estrela
alegórica dos magos não é outra coisa senão o misterioso
pentagrama; e estes três reis, filhos de Zoroastro,
conduzidos pela estrela flamejante ao berço do Deus
microcósmico, bastariam para demonstrar as origens
essencialmente cabalísticas e verdadeiramente mágicas do
dogma cristão. Um destes reis é branco, o segundo é negro e
o terceiro é moreno.
O branco oferece
ouro, símbolo de vida e de luz; o negro, mirra, imagem da
morte e da noite, enquanto que o terceiro, o moreno,
presenteia com incenso, emblema da divindade do dogma
conciliador dos dois princípios. Logo, quando regressam aos
seus países por outro caminho, demonstram que um novo culto,
é simplesmente uma nova rota que conduza a humanidade à
religião única, a do ternário sagrado do pentagrama
radiante, o único catolicismo eterno.
No Apocalipse,
São João vê essa mesma estrela cair do céu à terra. Nomeia-a
então absinto ou amargura e todas as águas se tornam
amargas. Isto é uma imagem clara da materialização do dogma,
que produz o fanatismo e as amarguras da controvérsia. É de
fato ao cristianismo que se pode dirigir estas palavras de
Isaías: “Corno caíste tu do céu, estrela brilhante, tu que
eras tão esplêndida em tua manhã?”
Mas o pentagrama,
profanado pelos homens, brilha sempre sem sombra na mão
direita do Verbo de verdade, e a voz inspiradora promete
àquele que vença pô-lo em posição dessa estrela matutina,
reabilitação solene prometida ao astro de Lúcifer.
Como se vê, todos os mistérios da magia
todos os símbolos da gnosis, todas as figuras do ocultismo,
todas as chaves cabalísticas da profecia resumem-se no signo
do pentagrama, que Paracelso proclama como o maior e mais
poderoso de todos os signos.
Por que se
assombrar depois disso, com a confiança dos magistas e com a
influência real exercida por esse signo sobre os espíritos
de todas as hierarquias? Aqueles que desprezam o
sinal-da-crnz tremem diante da estrela do microcosmo. O
mago, pelo contrário, quando sente que sua vontade
desfalece, dirige seu olhar para o símbolo, toma-o em sua
mão direita e se sente armado com todo o poder intelectual
sempre que for verdadeiramente um rei digno de ser conduzido
pela estrela até o berço da realização divina; sempre que
saiba, que ouse, que queira e que se
cale sempre que conheça o emprego do pentáculo, da taça,
da varinha e da espada; sempre, enfim, que os olhares
intrépidos de sua alma correspondam a esses dois olhos, cuja
ponta superior de nosso pentagrama lhes apresenta sempre
abertos.