A Arte de Viver

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Sic volo, sic jubeo, sic pro ratione voluntas

  • Mar da Galiléia - Tiberíades Israel

    Tese do Coelho

    Num dia lindo e ensolarado, o coelho saiu de sua toca com o notebook e pôs-se a trabalhar, bem concentrado.
    Pouco depois, passou por ali uma raposa, e viu aquele suculento coelhinho tão distraído, que chegou a salivar. No entanto, ficou intrigada com a atividade do coelho e aproximou-se, curiosa:
    *    Coelhinho, o que você está fazendo aí, tão concentrado?
    *    Estou redigindo a minha tese de doutorado - disse o coelho, sem tirar os olhos do trabalho.
    *    Hummmm.... e qual é o tema da sua tese?
    *    Ah, é uma teoria provando que os coelhos são os verdadeiros predadores naturais das raposas.
    A raposa ficou indignada
    *    Ora !!! Isso é ridículo ! ! ! Nós é que somos os predadores dos
    coelhos!
    *    Absolutamente ! Venha comigo à minha toca que eu mostro a minha prova experimental. 
    O coelho e a raposa entram na toca. Poucos instantes depois, ouve-se alguns ruídos indecifráveis, alguns poucos grunhidos e depois... silêncio.
    Em seguida, o coelho volta, sozinho, e mais uma vez, retoma os trabalhos de sua tese, como se nada tivesse acontecido.

    Meia hora depois, passa um lobo. Ao ver o apetitoso coelhinho, tão
    distraído, agradece mentalmente à cadeia alimentar por estar com o seu jantar garantido. No entanto, o lobo também acha muito curioso um coelho trabalhando naquela concentração toda. O lobo resolve então saber do que se trata aquilo tudo, antes de devorar o coelhinho:
    *    Olá, jovem coelhinho! O que faz trabalhar tão arduamente?
    *    Minha tese de doutorado, seu lobo. É uma teoria que venho desenvolvendo há algum tempo e que prova que nós, coelhos, somos os grandes predadores naturais de vários animais carnívoros, inclusive dos lobos.

    O lobo não se conteve e farfalha de risos com a petulância do coelho.
    *    Ah, ah, ah,ah ! ! ! Coelhinho, apetitoso coelhinho ! Isto é um
    despropósito. Nós, lobos, é que somos os genuínos predadores naturais dos coelhos. Aliás, chega de conversa . . .
    *    Desculpe-me, mas se você quiser, eu posso apresentar a minha prova experimental. Você gostaria de acompanhar-me à minha toca?
    O lobo não consegue acreditar na sua sorte. Ambos desaparecem toca adentro. Alguns instantes depois, ouve-se uivos desesperados, ruídos de mastigação e . . .  silêncio. Mais uma vez o coelho retorna sozinho, impassível, e volta ao trabalho de redação de sua tese, como se nada tivesse acontecido.

    Dentro da toca do coelho vê-se uma enorme pilha de ossos ensangüentados e pelancas de diversas ex-raposas e, ao lado desta, outra pilha ainda maior de ossos e restos mortais daquilo que um dia foram lobos.

    Ao centro das duas pilhas de ossos, um enorme LEÃO, satisfeito, bem alimentado, a palitar os dentes.

    MORAL DA ESTÓRIA:
    1.   Não importa quão absurdo é o tema de sua tese;
    2.   Não importa se ela não tem o mínimo fundamento científico;
    3.   Não importa se os seus experimentos nunca cheguem a provar sua teoria;
    4.   Não importa nem mesmo se suas idéias vão contra o mais óbvio dos
    conceitos lógicos .....
    5.   O que importa é
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                        QUEM É O TEU PADRINHO E TE PROTEGE...

         
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