Notei que, embora com 37 anos, estava com uma vasta calvície. Eu
detestava, pois ninguém quer ser careca.
Resolvi olhar com mais profundidade a possibilidade de fazer um
implante, mas não comentei com ninguém.
Um
dia, em 1992, fui ao Rio de Janeiro participar de um seminário e
um dia antes de voltar fui até uma clinica de implante em
Niterói.
O
cirurgião que me atendeu foi enfático e decisivo. Disse-me:
–
Você faz o implante e
amanhã poderá voltar para casa e ninguém notará.
Pensei. "Eu não vou
falar sobre o implante quando chegar em casa. A família e os
amigos só irão perceber quando começar a crescer os cabelos".
Como não sou de
deixar passar uma oportunidade, resolvi. Vou fazer.
O médico me aplicou
um sedativo e fiz a cirurgia.
No dia seguinte
acordei com a cabeça enfaixada e ao tirar a faixa quase desmaiei.
Lembro-me que exclamei:
–
Meu Deus, como é que
eu vou chegar em casa? Como vou enfrentar meus colegas de
trabalho.
A cabeça estava
cheia de tufos, como se fosse uma plantação de grama. Estava
ridículo.
Fiquei 25 dias indo
trabalhar de boné. Não o tirava nem nas reuniões mais formais.
Hoje eu não me
arrependo do que fiz. Depois de sofrer todos os tipos de
gozações e piadas, adquiri um ego inviolável. Nada mais me
atinge. Assim acredito e espero.